É disso tudo que se faz o nada que há por dentro. Tudo o que levamos são os fragmentos das lembranças que restaram, amigos que passaram, pessoas que se foram. E isso faz aquilo que nos consiste também. Fotos, livros, cartas, músicas, filmes são apenas lembretes, que nos ajudam a não esquecer a história que escrevemos junto aos nossos.
Quando pensamos no passado, somos muito tendenciosos. Vemos as coisas que agradaram, despachamos aquilo que nos fez mal e trancamos tudo num baú no fundo obscuro da mente. Claro que temos de viver com o baú que tende a aumentar com o tempo, ao mesmo passo que as coisas boas também vão necessitando de mais espaço, assim como temos de achar espaço para todas as outras ocorrências insignificantes do dia a dia. A cabeça enche tanto, mas tanto, que só queremos esvaziar.
Como dizia o Italiano outro dia, que dias bons aqueles de graduação, quando passávamos as tardes "ocupados", jogando GO naquele server coreano, se não me engano. Adorava. E nem lembro de quando paramos de jogar, exatamente... Talvez em meados de 2005? Enfim. Lembramos de 2005 como um ano bom, pois a realidade soa mais cruel, mas sabemos que foi uma merda :P
"A gente era feliz e não sabia" é o que minha mãe diz quando lembra do meu tio mais moço antes do assassinato dele. No entanto não faz referência alguma aos transtornos dados por ele, como a namorada que surgiu grávida, os sumiços durante dias a fio, madrugadas em claro... Óbvio que não ficamos feliz pela morte de alguém que dava trabalho, ainda mais quando amamos essa pessoa, mas deixemos as santificações para a igreja.
E nessa tentativa de escrever uma história feliz, seguimos em desespero: por dias de calma, por dias de paz, por dias de amor, por amor, por coisas e pessoas que nos completem... Pensamos nas coisas quando elas nos fizeram bem e queremos repeteco, mas meio que deletamos o mal que elas podem ter nos causado. Vamos vivendo como fantasmas em busca de algo que nos preencha, chorando no leite derramado... Só que pq o leite derramou mesmo?
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