Após uma tortuosa semana de provas e, de uma meio charope em especial, retorno ao meu estado quase normal de ociosidade, deixando de lado a fadiga que tem me feito compania nesses últimos dias.
Tinha que comparecer na FURG novamente para a aula de prática desportiva, mas resolvi ficar em casa para que pudesse ir ao centro mais tarde, para dar entrada na minha carteira de trabalho e olhar algumas vitrines. Infelizmente ao chegar em casa, minha mãe me dá a triste notícia de que não podería sair, pois ela teria que ir ao médico e eu teria que esperar alguém, que possivelmete viria - detalhe: não veio.
Então me pus a fazer as atividades domésticas que foram impostas à minha pessoa, de acordo com as instruções da senhora minha mãe.
Papapa, papapa, papapa, Fui até a padaria, lá pelas 17:30 (hora do pão quentinho =D), observando as pessoas, até que surge o meu vizinho de bicicleta. Fomos conversando, comprei os pães e quando voltei, notei que a 'finaleira' da tarde estava simplesmente agradabilíssima: poucas pessoas na rua, belo pôr-do-sol de um lado, do outro o céu mais azul e puro o possível, com alguns rastros de nuvens adicionando a beleza do momento.
Eu tenho desses momentos de vez enquando. Parece que o tempo pára e que tudo e todos ao redor viram mera figuração de uma cena qualquer do teatro divino. Simplesmente extasiante. Só havia o céu e eu, eu e o céu. As pessoas foram sumindo uma a uma. Comecei a lembrar dos meus tempos de criança, pois este era justamente o horário que eu costumava soltar do colégio. Minha mãe sempre me buscava, e meus amigos e eu vinhamos divagando sobre o sentido da vida e o comportamento das pessoas. Como eu tinha convicções em mente! Que guria pensante eu era!
Parece que isso tudo ficou no tempo. Hoje eu tenho algumas poucas certezas, mas uma chuva de dúvidas é o que parece submergir minha vida. Aí comecei a reparar que poucas crianças voltavam com suas mães, da mesma forma que eu um dia voltara com a minha. As crianças agora andam em bandos, gritando e arruaçando. Sentei-me no que pode-se chamar de soleira, hall ou simples e modestamente de porta da frente. Tornei a cabeça para o lado e vejo minha vizinha velha e crente dizendo o mesmo que eu havia pensado: Juventude perdida!Nossa! O meu estado é tão deplorável assim?! De qualquer forma, eu concordo com ela.Comecei a fazer as contas de quanto tempo tenho vivido neste mesmo lugar. Treze anos. Vim pra cá quando tinha 5, hoje tenho 18. Aí comecei a reparar outro aspecto: Fazem 13 anos que eu moro nessa rua, e não conheço a metade da vizinhança. Comecei a observar as pessoas que por aqui passavam. Elas faziam isso de forma tão rotineira e eu nunca as reparei antes. Uma mulher passou frente a minha pessoa, lentamente, a olhar no fundo dos meus olhos. Parecia que eu havia feito algo de contra a moral dela. Nossa! Nunca vi mais tenebrosa. Mas ela parecia me conhecer. Uns 20 minutos mais tarde, ela dobra a esquina novamente com um saco de pão. Dessa vez ela não me encarou. Ao vê-la indo em direção ao fim da rua, comecei a bolar uma historieta sobre sua vida. Quem seria? Pra onde vai, de onde veio...? Qual suas experiências e repertório? O que fazia?? Pensei de mais.
Ah, vi uma cena que até me lembrou o Régis (pra quem não sabe, minha vó): Duas senhoras gordinhas de coque e cabelos brancos, andando juntas, de braços dados, e no mesmo passo. Não sei qual o motivo, razão e circunstância que me fez lembrar do Régis...
Passou também uma menina (que se tiver minha idade, é uma velha) do outro lado da rua, e eu fiquei tentando advinhar o rumo que ela tomaria, se entraria na padaria, na ferragem, comecei a divagar sobre a criatura, até que percebi que estava ficando exagerado.
Resolvi retornar ao teatro divino, cuja encenação se passava em meu mundo onírico de vácuo e divagações. Os figurantes me reparavam, pois eu estava muito desligada. Até que meu vizinho volta a conversar comigo, e quando ele se foi, entrei pra casa novamente.De qualquer forma, foi muito agradável este momento.
Poucas pessoas passando, o clima agradável... Perfeito cenário para a trama de Deus e dos apaixonados... Que inveja!
Abraços! Lizi
3 comentários:
haaaa
voltei so pra dizer uma coisa
já tinha até me deitado, inferno ¬¬ AIhAIUhaua
haa, sim, um dia desses queria passar ae por perto e fica ratiando assim, sentado na frente da casa e tal, nunca fiz isso
mas deve ser algo legal de ser feito =]
bom, voltarei aos meus aposentos...
zZZZzz
Poxa tia, depois de ler isso eu fiquei ínté feliz, obrigada!
:)
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